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Algumas viagens começam muito antes de chegar a um destino. Nascem na forma de interpretar um território, de compreender os seus ritmos e de transformar cada percurso em uma experiência capaz de permanecer na memória. Todos os anos, a indústria global do turismo encontra espaços onde essas visões ganham forma e onde novas maneiras de descobrir o mundo começam a ser construídas. De 14 a 16 de maio, esse ponto de encontro volta a ganhar vida no Peru Travel Mart, um dos cenários mais relevantes da América do Sul para aqueles que desenham o futuro das viagens com sensibilidade, visão e conhecimento local.

Existe uma arquitetura que parece emergir da própria rocha, desafiando o tempo sobre alguns dos cumes mais remotos dos Andes. Longe dos circuitos tradicionais de Cusco, Waqrapukara ergue-se sobre o cânion do rio Apurímac como uma coroa de pedra entre o céu e a montanha. Para aqueles que buscam experiências capazes de revelar o lado mais autêntico do legado inca, chegar até aqui significa descobrir um território onde paisagem, história e aventura coexistem em perfeito equilíbrio.

A riqueza dos solos andinos preserva um dos legados agrícolas mais extraordinários do mundo. Muito antes de conquistar cozinhas internacionais e mesas da alta gastronomia, a batata já fazia parte essencial da relação entre o ser humano, a montanha e a terra no Peru ancestral. Hoje, com milhares de variedades nativas preservadas ao longo de gerações, celebrar o seu dia nacional também significa reconhecer uma herança viva que continua a evoluir, transformando um ingrediente milenar em uma expressão de identidade, território e sofisticação.

Cada corrente, cachoeira e lago propõe uma forma distinta de interpretar o Peru. Dos grandes caudais que atravessam a selva aos espelhos suspensos entre montanhas, seguir o curso de suas águas é entrar em um ritmo mais antigo, onde a natureza marca o tempo e cada paisagem parece conduzir a um descobrimento maior.

A cada junho, quando o inverno começa a desenhar manhãs mais nítidas sobre os Andes, Cusco recupera um pulso ancestral. A antiga capital do mundo inca não apenas acompanha a mudança de estação: volta a se alinhar com uma forma de entender o universo onde o tempo, a natureza e o sagrado dialogam constantemente. Nesses dias, a viagem deixa de ser apenas um deslocamento geográfico para se tornar uma experiência que conecta passado, paisagem e memória.

O Peru se deixa interpretar através do olhar daqueles que o traduziram em forma, cor e símbolo. Percorrê-lo é, em essência, deslocar-se por uma obra em constante construção. Essa leitura começa com José Sabogal que, na década de 1920, entendeu que a identidade não deveria ser buscada fora, mas na profundidade do que é próprio. Em seus traços, o rosto andino deixou de ser invisível para se tornar central. A partir daí, a arte peruana mudou de direção.

Uma viagem não começa ao chegar a um destino, mas no momento em que começa a ser imaginada. Na ITB China 2026, esse processo ganha forma em um ambiente onde se definem novas dinâmicas do turismo internacional, identificam-se oportunidades de crescimento e constroem-se conexões-chave entre mercados. Hoje, o viajante asiático não busca apenas ir longe, mas compreender. Nesse impulso, o Peru se apresenta não como uma coleção de ícones, mas como uma narrativa que se revela em camadas.

Há cidades que se percorrem com o olhar. Lima, por outro lado, se compreende através do paladar. Em seu Centro Histórico, onde as varandas de madeira entalhada observam a passagem do tempo, a história não se limita às suas igrejas ou praças. Ela se revela em suas cozinhas, em uma diversidade que convive sem esforço: do mais essencial às propostas que reinterpretam a tradição. Aqui, cada sabor é uma forma de entender a cidade. A manhã começa em sua versão mais autêntica. Entre o movimento constante e o ritmo inconfundível do centro, o aroma da lenha marca o início no El Chinito . O pão com chicharrón não é apenas um clássico: é uma cena cotidiana que se repete com precisão, onde a crocância, o dulçor da batata-doce e a frescura da salsa criolla constroem um equilíbrio que perdura no tempo. É o ponto de partida perfeito: direto, honesto, profundamente limeño.

Atravessando vales profundos, rios de montanha e extensos planaltos, os trens do Peru percorrem algumas das paisagens mais deslumbrantes dos Andes. Hoje, estes trajetos são vividos como uma experiência em si mesmos, onde a forma de percorrer o território revela tanto quanto o destino final. De Cusco a Machu Picchu, a viagem segue o curso do rio Urubamba, descendo do Vale Sagrado em direção à floresta de nuvens num percurso onde a paisagem muda constantemente. Terraços agrícolas, povoados andinos e encostas cobertas de vegetação acompanham o trajeto, antecipando a chegada à cidadela inca.





